25 Junho 2009

O rei não está mais entre nós

Somente um grande acontecimento como o de hoje para me fazer sair do meu limbo e voltar a escrever.

O rei se foi.

Ouvi a notícia pelo rádio, de relance, quando trocava de estações no carro. Fiquei chocado. Meu estômago embrulhou na hora e permanece assim até agora. Acessei a internet logo em seguida e todos os jornais diziam: “Morre Michael Jackson”.

Neste momento, enquanto escrevo, escuto a TV que está ligada e transmitindo uma coletiva de imprensa com seu irmão. Parece mentira. Como aquele cara, que cantava tão bem e dançava como se flutuasse no ar, se foi? E todas as confusões, mentiras, multidões?

O mundo pop é ágil. Em breve, um novo rei será eleito, assim como Michael tomou o lugar de seu ex-sogro, Elvis. Mas será que o novo artista será tão completo como o rei atual? Cantará, dançará, produzirá, comporá tão bem? Michael era um artista completo – coisa que falta a muitos dos digamos artistas atuais. Alguns são ótimos cantores, mas nem tão criativos no palco. Outros montam verdadeiros shows, mas não tem voz. Enfim, acho que ainda vai demorar pra aparecer um artista como ele.

Lembro de ouvir Thriller em casa, na vitrola, quando era criança. Apesar de ter sido lançado no ano que nasci, 1982, meu irmão mais velho tinha o LP. Na minha cabeça, vem cenas da gente dando risada e imitando os monstros do clipe – morria de medo daquela risada fantasmagórica no final da música. Tenho também em casa o LP de We Are The World, que meu pai ouvia a exaustão. Quando Michael veio para o Brasil em 93 na turnê de Dangerous, eu tinha apenas 11 anos, mas como queria ter ido vê-lo voar sobre o público. Quando o show foi transmitido pelo SBT, gravei e assisti inúmeras vezes, até a fita gastar e enroscar no vídeo cassete. Cresci e fui acompanhando Michael. Comprei CDs, DVDs e até uma biografia, onde descobri como foi sua vida, uma triste história de um cara extremamente criativo, mas muito, muito perturbado. Pelo livro “Michael Jackson – A Magia e a Loucura”, de J. Randy Tarrabodelly, dá pra ter uma leve ideia de como foi sua história: um milionário caos.

Mas, enfim, tudo acabou.

Esta noite está mais silenciosa. A chuva cai desde manhã.

18 Janeiro 2009

Vida longa à rainha!

E quem disse que no Brasil não tem furacão? Pelo menos nos últimos três meses do ano passado o país foi assolado pelo fenômeno Madonna. Eram milhões de notícias, diariamente. Uma simples espiada pela janela do hotel era digna de manchetes e mais manchetes. Bom, mas confesso que prefiro mil vezes este tipo de notícia do que aquela tonelada de desgraças que infestam diariamente os meios de comunicação brasileiros – quanto pior, melhor.

Voltando à Madonna, acabei indo em dois shows da véia em São Paulo (junte um evento único e uma namorada fanática, dá nisso). O primeiro, no dia 18 de dezembro, e o segundo no dia 21. Antes disso, a compra do ingresso: aquele caos, que já se esperava. Passei a madrugada acordado tentando acessar aquele site que não dava sinal de vida. De manhã, consegui ligar na central e falei com o atendente. A euforia foi tão grande que não consegui segurar a empolgação ao falar com o cara do outro lado da linha: “Ah, não acredito”. Afinal, fazia quase oito horas que eu estava tentando, tentando, tentando... Para o segundo show, a compra foi bem mais tranqüila. Quem fez foi minha prima, por telefone também.

No primeiro show, foi tudo perfeito: entrada sem tumulto, lugar bacana perto do palco, nenhum sinal de chuva... Exceto a apresentação de abertura daquele DJ, que foi uma furada. Qualquer show ali teria animado bem mais. Às 22h, se não me engano, começaram as projeções do início do show. E que show! E que mulher. Ela pula corda, agacha, levanta... Confesso que eu travaria na primeira tentativa de imitá-la, indo direto pro hospital.

Li algumas críticas que disseram que o público não recebeu bem o show. Acho, então, que quem escreveu não estava no mesmo show que eu. O povo estava delirando, pulando. Muitos casais, pessoas mais velhas, tudo muito tranqüilo. O ponto alto, óbvio, foi Like a Prayer, que levou a galera a um surto coletivo de felicidade. Para mim, o que mais gostei, foi o conjunto romeno cantando La Isla Bonita. Foda!

No show do domingo, exatamente tudo igual ao de quinta, exceto o set list do DJ, que ele deu uma modernizada, e algumas palavras da Madonna sobre aquele ser último show da turnê mundial, com direito a um choro. Preferi quinta: domingo tinha chovido absurdamente e ela demorou quase duas horas para entrar no palco. Segundo o que li depois, havia uma central meteorológica atrás do palco que garantia que depois das 22h não haveria chuva. Por isso, o atraso. Acabei ficando num lugar pior que quinta e só conseguia enxergar o palco na ponta do pé – ele poderia ser meio metro maior, era o que mais se ouvia do povo. Eu sou um cara alto, imagine o restante do povo, o que sofreu...

De qualquer forma, um show foda, pra ficar na história e na recordação. Confesso que este último CD da Madonna não é o meu favorito, prefiro bem mais o anterior (sem falar em Ray of Light). Assim como preferi o show anterior, que vi pela TV (até fiz um post na época, qdo assisti pela primeira vez na HBO). Como disse uma crítica da Folha, Madonna não faz um show e sim um musical. Tudo é friamente calculado (parodiando Chapolim) e repetido à exaustão. Mas é um puta show, desculpem a palavra. Único, se posso usar esta palavra.

O que ajudou muito foi todo o pessoal que foi com a gente, muitos amigos,o que tornou toda a experiência mito mais sensacional e singular.

A véia, como carinhosamente todo mundo passou a chamá-la, merece tudo o que tem. Sua voz não é seu ponto forte, concordo, mas ela é uma artista que precisa, sem dúvidas, ser reverenciada como rainha do Pop. Vida longa à rainha!

09 Janeiro 2009

Farra no cinema

Por farra, em 2008 guardei todos os ingressos de cinema que fui. Comecei a fazer isso para, no fim do ano, ter uma noção exata de quantos filmes eu assisti e quais foram, pelo menos no cinema (fazer isso com os da TV ou em DVD alugados seria muita loucura, mesmo para mim). Ao todo, foram 28 filmes, a maioria vista na rede Cinemark – os outros três foram no Espaço Unibanco de cinema. Vejam:

1. O caçador de pipas – 23/01/08 – Não chega aos pés do livro, mas, mesmo assim, emocionante.
2. Eu sou a lenda – 30/01/08 – O cachorro era o máximo!
3. A lenda do tesouro perdido – 04/02/08 – Filme bobinho, aquecimento pro Indiana Jones que estava vindo em seguida.
4. Juno – 05/02/08 – Divertido e inteligente. A roteirista mereceu o Oscar.
5. Alvin e os esquilos – 01/03/08 – Os bichinhos eram bem simpáticos, mas o filme é pra crianças (momento tio).
6. Jogos do poder – 08/03/08 – Pra comemorar o Dia Internacional das Mulheres, nada como ver a Julia Roberts na telona. Filme muito bom, mesmo.
7. 10.000 a.C. – 18/03/08 – Boring! Não perca tempo...
8. Horton e o mundo dos Quem - 05/04/08 – Outro momento tio. Filme bobinho sobre o mundo em uma flor. Para as crianças (e muitos adultos), vale pela lição de moral.
9. Imagens do além – 30/04/08 – Preferi o original, coreano.
10. As crônicas de Spiderwick – 04/05/08 – Mais um momento tio.
11. Quebrando a banca – 20/05/08 – Quero ir para Las Vegas!
12. Speed Racer – 08/06/08 – O visual do filme é extremamente bacana.
13. Indiana Jones – 10/06/08 – Perdi a respiração. O que era aquele ataque de bichos peçonhentos no meio da floresta?Argh!
14. Jogo de amor em Las Vegas – 27/06/08 - Muitas risadas.
15. Agente 86 – 01/07/08 – Simpático, mas esperava mais.
16. Wall-E – 02/08/08 – Confesso que chorei. Fiquei com tanta dó daquele bichinho...
17. Batman – O cavaleiro das trevas - 04/08/08 – Muito bom, mas muito mesmo! Coringa eternamente.
18. Kung Fu Panda – 09/08/08 – Bobinho... mas o que a gente não faz pelos nossos sobrinhos? Confesso que esperava mais.
19. Meu irmão é filho único – 06/09/08 – Filme italiano simpático numa salinha pequenininha do espaço Unibanco da Augusta. Diferente e bacana.
20. O nevoeiro – 14/09/08 – Medo, muito medo. Nunca mais fiquei indiferente em um nevoeiro.
21. Ensaio sobre a cegueira – 16/09/08 – Perplexo (veja post mais abaixo).
22. Mamma mia – 23/09/08 – Sai do cinema cantando.
23. A múmia – a tumba do imperador – 04/10/08 – Ótimos efeitos especiais.
24. Zohan – O agente bom de corte – 05/10/08 – Bobo, mas engraçado. Vale pelas risadas.
25. Terra vermelha – 16/10/08 – Filme ítalo-brasileiro pra refletir sobre a questão indígena brasileira. Forte.
26. High School Musical 3 – 20/11/08 – Mais um momento tio.
27. REC – 25/11/08 – Filme de terror espanhol? Muito bem feito! E muito medo...
28. Os estranhos – 16/12/08 – Porque nos EUA as pessoas atendem a porta no meio da madrugada? Fala sério... Mas dá medo e ficamos nos perguntando o porquê. Momento de violência gratuita.

07 Janeiro 2009

Cachorro é tudo de bom

Sexta-feira passada, fui assistir a adaptação do livro “Marley & Eu”, que conta a história do pior cão do mundo – adjetivo dado pelo dono de um labrador de 50 kg que come o que vê pela frente e tem verdadeiros ataques de pânico quando ouve trovões.

Li o livro no ano passado. Na verdade, devorei em poucos dias. Com uma narrativa deliciosa, o jornalista-autor conta as aventuras de seu cão, usando como pano de fundo a formação de sua família ou, propriamente, sua vida, com um novo emprego, casamento, filho, casa e tudo o mais que se tem direito. Achei o livro divertido e chorei, muito, no final – o que me rendeu um verdadeiro mico já que terminei de lê-lo na sala de espera da concessionária, enquanto esperava meu carro ficar pronto da revisão... Sem muitos comentários.

Enfim, lá fui eu ver o filme no cinema. Além de ter curtido muito o livro (assim como milhões de pessoas no mundo todo), o fato de terem colocado a Jennifer Aniston como uma das protagonistas deu um incentivo a mais. Pois bem, o filme é tudo isso mesmo que estão falando e que se esperava, pelo menos para aqueles que gostam de cachorro como eu. Owen Wilson ajuda muito como o dono do cão. Só que, no filme, a história se inverte: o cão serve como fundo para mostrar o crescimento do casal.

Tudo ali muito real e palatável: as dificuldades, as incertezas, o crescimento, as brigas e alegrias – e as dores. E por falar em dor, como chorei vendo este filme. Não só eu, mas toda a sala do cinema, que estava abarrotada de gente (fábricas de lenço de papel perderam uma ótima oportunidade de lucrar com ações promocionais). Depois de muitas risadas, na terceira parte do filme, se podemos dividi-lo em três, não se ouvia um pio, apenas narizes fungando. Há muito tempo eu não via tanta gente sair com os olhos mareados do cinema. Eu fui um deles.

Sai também pensando no amor que a gente tem por estes bichos. Pensei muito no meu cachorro, que se foi há alguns anos. Sofri muito na época, até porque ele sofreu também com um câncer que o consumiu durante quase três anos. Foi uma briga para que ele vivesse, mas não deu, apesar das cirurgias e dezenas de sessões de quimioterapia. Mas só o fato de chegar em casa e vê-lo feliz, balançando o rabo, com a bolinha na boca querendo brincar, valia todo e qualquer esforço. O amor que estes bichos sentem por nós é demais, nos quebra. Hoje, me divirto e mato minha vontade de cachorro com os quatro pequenos da minha namorada: um poodle, uma rottweiler, um pastor alemão e um vira-lata chorão. Bichos que já fazem parte do meu dia-a-dia e dos meus pensamentos.

Enfim, “Marley & Eu” é um ótimo filme – e um ótimo livro também. Estou pensando seriamente em assistir de novo – e chorar mais um pouco.

08 Dezembro 2008

Entre e fique a vontade

Os posts abaixo foram escritos há algum tempo e só agora tive tempo (ou talvez coragem...) de postá-los. Estava com saudade de escrever. A você, que apareceu por aqui, entre, leia e sinta-se a vontade (copiando livremente o slogan de tempos atrás da Iódice, quando anunciava incessantemente na MTV).

Danni foi pra minha coleção

Fui em outubro assistir o show da Danni Carlos, gratuito, no Shopping Metrô Tatuapé, em São Paulo. Cheguei lá não esperando muita coisa, já que conhecia apenas os CDs que ela gravou com sucessos de fora, de Madonna a U2. Ao subir no palco, com seu cabelo loiro tingido, Danni mandou bem durante todo o show. Uma boa voz, uma banda afinada, um carisma raro nos dias de hoje (coisa para poucos e espertos artistas). Mandou muito bem. Músicas de seu novo CD, que concorre a alguns Grammy, músicas dos outos, clássicos do cancioneiro pop atual. Um show de quase duas horas. Muita gente assistindo, de velhinhas a fãs. Tinha de tudo, inclusive eu. Gostei, sai de lá fã da moça, que em determinado momento desceu do palco e foi cantar no meio do povo que estava na beira do palco, com direito a posar do lado de um cara para tirar foto no celular dele – tudo com o microfone na mão. Ganhei mais uma cantora para minha coleção.

Chega de vontade

Há alguns meses, eu e minha namorada tentamos, durante quase uma hora, ligar na central da Ticketmaster para comprar ingressos para o show que Roberto Carlos e Caetano Veloso fizeram no Auditório do Ibirapuera com músicas da Bossa Nova. Óbvio que, assim como milhares de outras pessoas, fiquei só na vontade e a única coisa que recebi foi o tom de ocupado do telefone.

Fiquei duplamente chateado. Primeiro porque nunca tinha visto Roberto e Caetano em um show (apenas Roberto em um Criança Esperança, da Globo, mas sentei tão longe do palco que apenas vi uma mancha...). Segundo que a oportunidade de vê-los juntos, ainda mais cantando músicas da Bossa Nova, era algo como dar de cara com a Av. dos Bandeirantes, em Sampa, livre, numa sexta-feira chuvosa. Algo, no mínimo, raro.

Pois foi numa destas reviravoltas do destino que a dupla foi contratada pela Fiat para o evento de lançamento do Linea e eu acabei indo no evento.

Tudo impecável, superprodução, muita organização . E eu ali, inquieto, esperando e contando segundos para ver os dois grandes mestres no palco. Na minha modesta opinião, Caetano e Roberto são dois ícones de nossa música, de nossa cultura. Se somos o que somos hoje, esta potência cultural mundial que tanto dizem (e eu acredito que somos), devemos alguns dos créditos a estes dois.

Nada mais , nada menos que Nelson Mota fez a apresentação do show. E entraram os dois, cantando Garota do Ipanema. Confesso: segurei-me para não chorar. Depois, diversos clássicos, encerrando com Chega de Saudade, que ganhou bis logo depois. Que maravilha! Aquela cena me arrepiou. Roberto com o seu indefectível terno azul. Caetano na sua paz baiana de sempre. As vozes, maravilhosas! Suaves! Como na minha imaginação... E eu embasbacado, brigando com minha câmera, babando nos dois na primeira fila (sim, eu dei muita sorte e fiquei de cara pro gol!).

Foi um show perfeito, com direito até mesmo a presença do filho de Tom Jobim, grande homenageado da noite. Sem exageros, um dos melhores momentos da minha vida.

Bolhas únicas

Semanas atrás estava escutando o Pânico, pela Jovem Pan. Estava lá, sendo entrevistada, a Denise Fraga falando sobre sua peça de teatro em cartaz em São Paulo. O papo foi muito além disso e chegou a um tom reflexivo, quase inexistente em programas por aí, seja rádio ou TV. Denise começou a falar sobre a problemática de vivermos em um mundo extremamente individual, onde as pessoas com seus I-Pods ficam reclusas a si próprias, sem querer interagir com outros seres, sejam eles humanos ou não. Contou que há alguns que chegam ao teatro para ver sua peça com fone no ouvido.... detalhe: acompanhados!

Outro dia, conversando com um dos executivos principais da empresa onde trabalho também esbarramos neste assunto. Ele contava sobre sua viagem de negócios à Índia, um país extremamente diferente do nosso, em diversos sentidos, melhores e piores. Um deles era o de que as pessoas por lá (e talvez em outros países do Oriente) conservem esta coisa do coletivo, do pensar no outro, da continuação da energia. Talvez por isso estes países estejam crescendo tanto, se desenvolvendo de tal forma que atropelam as nações individualistas como as do lado de cá.

Juntei Denise com o executivo e cheguei à conclusão de que, realmente, um dos maiores males do nosso mundinho é querermos que o mundinho seja só nosso. Não que deva haver um socialismo ou coisa que o valha, mas pelo menos o se importar com o outro já basta, pensando na continuidade e consequências de seus atos. Não dá para ignorar o outro, seja para o bem ou para o mal.

Não podemos nos fechar em bolhas, individuais e egoístas. Até porque isso é impossível! Somos uma só coisa, tudo matéria interligada. Budismo e física quântica que o digam!

Doe-se quando achar que é preciso e suma quando tb for necessário tomar um ar. Ofereça-se, exponha-se, importe-se, mude, feche-se. Mas interaja, sempre. Isolar-se é apenas um auto-engano, não estamos sozinhos.

01 Outubro 2008

Mamma mia!

Gosto do Abba. Desde meu primeiro contato com a banda, no filme O Casamento de Muriel, fui seduzido pelas músicas deste quarteto. Na semana passada, fui ao cinema ver Mamma Mia!, filme baseado no musical que há anos lota os teatros por onde passa (infelizmente, pra variar só um pouquinho, ainda não veio para o Brasil).

A história é sobre uma garota que acha um velho diário de sua mãe e descobre três candidatos para ser seu pai. Alguns dias antes de seu casamento, ela chama os três para a cerimônia, esperando que, ao vê-los, decifre quem é seu pai de verdade, informação que sua mãe nunca lhe deu.

É um filme bem água com açúcar, mas divertido. O mais legal é ver como as autoras conseguiram encaixar as músicas do Abba no meio da história, dando sentido para toda a trama. O cenário é uma ilha grega – muito mar azul.


Meryl Streep me surpreendeu. Canta (até que bem), dança, pula em cima da cama, chora, faz bico... Muita atriz por ai deveria ter pelo menos um décimo do seu talento.

Estão lá músicas como Waterloo, Gimme Gimme Gimme, Dancing Queen, I Do, I Do I Do e, lógico, Mamma Mia! Sai do cinema cantando. Talvez este tenha sido o objetivo do filme, um simples analgésico para a correia do cotidiano. Funcionou.

Perplexidade

Assisti há alguns dias Ensaio sobre a Cegueira no cinema, filme do Fernando Meirelles baseado na obra de José Saramago. Não sei dizer, ainda, se gostei ou não do filme. Sai do cinema perplexo, chocado, como se tivesse tomado uma porrada na cara. E que porrada! Acho que não ficava assim desde que assisti Crash.

Pra quem ainda não sabe, Ensaio fala sobre uma epidemia de cegueira que começa a dar nas pessoas de uma grande megalópole não identificada. Aos poucos, a “doença” se espalha, sem respeitar classes sociais, profissões ou qualquer outro rótulo social.

Numa atitude desesperada, o governo do país resolve exilar os doentes em um hospital, abandonando-os. Dentre todos os infectados, uma mulher enxerga – Juliane Moore, em um papel extremamente emocionante.

Das brigas entre os integrantes das alas dos prédios, a história mostra até onde o ser humano é capaz de descer. Como não deve ser surpresa, boa parte do filme é uma viagem ao inferno, com situações extremas e que mostram o ser humano realmente como um bicho – que realmente somos. Daí, talvez, a perplexidade: a tão aclamada civilização está em uma corda bamba, pronta para cair, dependendo apenas de um empurrão. Saramago , com sua cegueira, deu apenas um assopro. E ela se estatelou no chão...

06 Abril 2008

Eu parei para ouvir o que morte tinha a dizer

Acabei de ler "A menina que roubava livros", do Markus Zusak. Que livro... Resumindo muito, é a história da segunda grande guerra através do ponto de vista dos alemães. Não dos soldados ou dos políticos, mas dos alemãs simples, comuns, moradores de um país em mudança, com um louco no poder.

Em suas mais de 400 páginas, o livro mostra a trajetória de Liesel, uma garota que teve uma vida, digamos, difícil, com muitas pessoas simplesmente passando por seu caminho. Pessoas que ela amou, pessoas que ela mal notou. Enfim, pessoas que mudaram seu jeito de ser e de pensar.

A narradora do livro é a morte. Uma narradora que todos nós encontraremos um dia, mais cedo ou mais tarde, quando a gente menos esperar – ou esperando também.

Enfim, um livro maravilhoso e que não me estranha estar há semanas na lista de mais vendidos. Liesel sofre, e nós compartilhamos seu sofrimento. Ao mesmo tempo, ela segue em frente, modificada pelo seu ambiente. E nós ficamos felizes por ela.